Alguns segundos depois de terminar a primeira semifinal dos Jogos Olímpicos de 400 metros no último domingo, 5, na liderança, James Kirani, de Granada se virou e olhou para o homem que terminou em último. Era o sul-africano Oscar Pistorius, um atleta que fez história ao tornar-se o primeiro com amputação dupla a competir no atletismo nos Jogos Olímpicos.Kirani sorriu e abraçou Pistorius, claramente ele sabia o significado do que Pistorius havia conquistado. Em muitos aspectos, não importa que o tempo de Pistorius, de 46,54 segundos, tenha sido quase dois segundos a mais do que o estabelecido por James Kirani e Chris Brown, das Bahamas, que chegaram, respectivamente, em primeiro e segundo lugar na prova. Para Pistorius, conhecido como “Blade Runner” por causa de suas próteses de fibra de carbono, chegar até ali já era longe demais: “Toda a experiência é alucinante. Meu objetivo era correr a semifinal. É um sonho tornado realidade”, disse.Não foi a última participação de Pistorius na Olimpíada. Ele voltará à pista na quinta-feira, 9, como parte da equipe sul-africana de revezamento 4×400. Pistorius, 25, tem enfrentado desafios incomuns. Nascido sem fíbulas, ele teve as duas pernas amputadas abaixo do joelho antes de seu primeiro aniversário e lutou durante anos para competir contra atletas sem deficiência. Há quatro anos, ele se classificou para os Jogos de Pequim, mas sua participação foi vetada, pois a organização considerou que suas próteses lhe conferiam uma vantagem injusta. Essa decisão foi derrubada pelo Tribunal Arbitral do Desporto, mas tarde demais para Pistorius competir na China. Parecia que ele perderia também a sua chance de disputar os 400 metros também em Londres, depois de não cumprir o tempo de classificação do Comitê Olímpico sul-africano. Porém, a entidade anunciou um mês antes dos Jogos, que Pistorius era digno de um lugar na equipe e iria correr tanto nos 400 metros, como no revezamento. Dados os resultados anteriores, as expectativas não eram altas, mas Pistorius surpreendeu e conseguiu chegar até as semifinais.Apesar de ser inspirador para muitos, a jornada olímpica de Pistorius gerou polêmica. As opiniões variam sobre a participação do atleta. Alguns acreditam que as próteses lhe dão uma vantagem na competição baseadas no argumento de que Pistorius gasta menos energia do que outros atletas para completar a prova. Para outros, a noção de que um amputado teria uma vantagem sobre os corredores que competem com as pernas naturais é um absurdo. Entre os fatores citados pelos defensores, está a maneira como Pistorius começa a corrida. Na semifinal de domingo, por exemplo, Pistorius iniciou a corrida sem a ajuda dos blocos de partida, que reduzem a resistência do vento. É uma manobra necessária, pois suas próteses não permitem a utilização dos blocos.Pistorius chegou em último lugar, mas quando cruzou a linha de chegada, James, o vencedor da prova, estava esperando por ele. Quase imediatamente, James trocou o número de identificação de suas camisas, o que soou como uma declaração da importância de Pistorius nas pistas do mundo: “Ele é uma inspiração para todos nós. Ele é um cara pé-no-chão e um grande indivíduo. Eu pensei que era um gesto bonito”, explicou James.Apenas alguns segundos depois de terminar a corrida que tinha sonhado durante anos, Pistorius não parecia desapontado. Ele estava radiante. A dúvida que surge é: será que se Oscar Pistorius tivesse ganhado a competição, a receptividade ao atleta seria a mesma e sua vitória seria considerada justa?Comentario: Pistorius honrou a camisa brasileira de maneira muito bonita!
Postado por: Diego Braz Maciel
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